segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Educação não é para todos



Por volta dos meus oito ou nove anos de idade, eu e meus irmãos fomos instruídos pelo meu pai e pela minha mãe a respeitar qualquer pessoa, independentemente de ser mais velho, mais novo, mais rico ou mais pobre.



            A regra do “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite”, “Por favor” e “Obrigado” tornou-se uma constante em nossas vidas, fazendo com que eu e meus irmãos nos tornássemos crianças extremamente educadas.

            Dizer “Senhor”, “Senhora”, “Doutor”, “Doutora” também estava dentro do vocabulário ao qual fomos instruídos: - Usar Senhor(a) para os mais velhos e Doutor(a) para os médicos. Era isso que sempre tínhamos como instrução.

            Crescemos utilizando este aprendizado e sempre fomos muito felizes com isto. Utilizávamos isto para nossos patrões, para nossos amigos, para nossos parceiros de trabalho, para policiais, enfim, para uma gama vasta de pessoas.
            Sempre nos ensinaram que a educação faz o homem. E é verdade, não posso discordar da minha mãe e do meu pai nestas horas.

            Mas o tempo passa e com isto, acabamos nos relacionando com pessoas que não sabem, ou talvez não queiram utilizar isto como parte de suas vidas. Na verdade, sinto que quase todas as pessoas perderam este costume consagrado de respeitar o ser humano.

            Não ouvimos mais isto de ninguém. Não ouvimos mais isto em lugar algum. As pessoas estão secas, sem sentimentos, sem vontade ou sem a mínima preocupação de respeitarem as outras pessoas.

            Infelizmente o mundo acabou se tornando um antro de obrigação. As pessoas trabalham por obrigação, lhe atendem por obrigação, lhe retornam por obrigação e lhe cobram por obrigação.

            Ser atendido hoje em dia em um caixa de supermercado é uma das coisas mais traumatizantes que existem. Claro, todos nós temos nossos problemas e nossos dias de fúria, mas e o respeito? Onde ele entra? Quer dizer então que todo o dia que eu tiver um dia ruim eu maltratarei alguém?

            Mas é compreensível. Isto é culpa dos pais de atualmente. Dos pais que instruem que seus filhos são poderosos e cheios de si mesmo. Dos pais de um passado que fizeram de seus filhos, máquinas de sucesso sem felicidade.

            De que adianta ter sucesso sem felicidade? Difícil dizer. Isto depende de cada um, não é?
            Mas de uma coisa eu sei - A educação não é para qualquer pessoa.  Educação é como mascar chiclete: Se você masca um chiclete de boca aberta, não adianta de nada sorrir. Você literalmente não teve educação.

            O mesmo vale para a forma de tratar as pessoas: De que adianta não tratar bem as pessoas e manter o sorriso pelos ares? Você literalmente não tem educação também.

            A educação não é para poucos, e sim, ela não é para todos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Eeeeeeta Situação Precária - O País do Tubisco

E foi no ano de 2015 que as bombas mais fortes explodiram em nosso país. Só que elas não explodiram por causa de todas as pessoas que gritaram “Vem pra rua”, ou “não aos centavos a mais do busão” há alguns anos. Elas explodiram por poder.



O que está acontecendo agora é uma guerra de ódio, poder,chantagem e contradição, pois enquanto o Governador de São Paulo, o Exmo. Água de Salsicha sofre com duzentas escolas tomadas por pessoas que se dizem estudantes (texto a parte, pois dá tristeza saber como nossas escolas estão sendo frequentadas por tudo que não presta), lá em cima, Eduardo Cunha resolve impor por meio de chantagem a abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma Roussef. Isto para salvar a própria bunda.

Mas o mais engraçado é que enquanto os aliados gritam “Não vai ter golpe”, eu fico me perguntando o motivo do Hélio Bicudo (fundador do PT) ter confeccionado um pedido tão sutil e direto.

Se existem algum golpe, este é do próprio Hélio então. E se é um golpe, não deveria estar previsto na constituição. E se é um golpe, não deveríamos ter pedaladas fiscais. E se é um golpe, não teríamos mais de 40 presos na Lava Jato. E POR AÍ VAI.

Não, eu não esqueci do Governador de São Paulo. Eu chego lá.

Talvez, um pouco de pensamento próprio ajudaria as pessoas a se perguntarem mais sobre os acontecimentos. Talvez isto faria um maior entendimento em relação ao Eduardo Cunha e ao Tsunami que o PT está sofrendo.

Quanto ao água de salsicha? Agora ele não fica mais em evidência, pois “tá tenu pobrema prá Diuma”. Se safou, hein?

Se o processo de Impeachment é bom ou ruim nós ainda não sabemos (reflete na bolsa, confiabilidade estrangeira, etc), mas uma coisa é fato: Não dá pra ficar como está e talvez este seja o único caminho para algo acontecer. ALGO TEM QUE ACONTECER.

Chupem uma manga, defensores de plantão. Eu não defendo partido algum. Eu defendo, aliás, defendia, um país mais justo para todos. Sim, até para o cara do Gatonet, para o cara que suborna, para o cara que rouba, para o cara que dá um jeitinho na habilitação quando ela é cassada, para blá, blá e blá.

O que acontece lá “em cima” é reflexo do que acontece “aqui, na nossa linha”. Desta forma, pra que fazer beleza “prus manus do estrangeiro”?

Ahhh. O Rio Doce? Este ganhou mais um desconto nos noticiários, afinal, temos Impeachment, Corinthians campeão, Palmeiras Campeão, Carnaval tá chegando aí e tudo volta a ser como era.


Já dizia o Humberto. Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Memórias das Três Verdades - Um antro de opções

Há tempos eu escrevei algo sobre as três verdades que trata-se de uma teoria que explica a designação de não acreditar na informação de duas pessoas, mas sim, de coleta-las e ter a própria opinião. É, eu sempre preguei isto e sempre me saí muito bem com esta forma de agir.

Mas e quando não existem duas verdades para se ter a terceira opinião? E quando se tem apenas uma "verdade"?



Pois é: eu acho que não preciso ficar explicando os meus princípios, os meus conceitos e as minhas ideias para todos, pois cada um que faz parte do meu ciclo de amizades já me conhece bem. Também acredito que cada um de vocês que está no meu ciclo sabe bem que eu não costumo faltar com respeito e tão menos jogar palavras ao vento, dando a intenção de que tudo o que acontece em minha vida é por culpa dos outros.

Pois bem. Quando julgamos as pessoas de modo fácil, todos tem a sensação de que a verdade "veio a tona". Legal, pois é isto que a maioria gosta de ler - as pessoas são movidas ao combustível da dor do próximo e da informação deslavada.

Quando decidi há pouco mudar o rumo da minha vida, fiz por minha própria conta e risco. Fiz pelo meu próprio coração. E fiz também pensando no coração de todos ao meu redor. Decidi pois decidi e ponto - trata-se de um problema exclusivo meu.

Não me interessam os julgamentos e tão menos as informações que são jogadas ao vento que dão a ideia de que eu fui um crápula, ou um ser sem coração e inútil. O que realmente importa é o que eu sentia e me machucava, me magoava e entristecia. E com tudo isto, tomar as decisões que eu tomei acerca dos acontecimentos da vida foram dolorosas.

Mas não tem nada não. Aprendi pelo meu próprio erro - o erro de ficar calado, de engasgar com os acontecimentos e ficar dilacerado por dentro. O erro de não dar a chance da terceira verdade, já que é isto que importa para a grande maioria. E com isto, muitos usam e abusam da minha paciência que já não é das maiores.

Na onda da mudança eu resolvi preservar várias pessoas que comigo estavam próximas ou até mesmo a distância. E foi nesta onda que eu resolvi ficar mudo, intacto e resignado. Deveria ter soltado um "culhão" de verbos no Facebook como todos fazem - ou como um ou outro faz.

Seria mais fácil eu ter me "queimado" da forma errada do que da forma correta, pois aí sim todos teriam motivos reais para me criticar ao extremo. Enfim, isto é um pensamento que veio dos meus devaneios, e cada vez que penso nisso eu tenho mais ódio ainda de Saint Exupeury (... tu és eternamente responsável.... pela porra do blábláblá).

Todas as vezes que penso nisto eu me sinto mais vazio por dentro. Nada de "algo que queima por dentro - mas que tem amor e amor e amor". Só vazio, porém, sem decepção alguma afinal, o esperado já era esperado. Dúbio? Pra mim não.

Quando uma pessoa acusa outra de algo ela deve esperar geralmente o contra-ataque. Mas de mim nunca espere isto, pois eu não costumo trabalhar com "para cada ação, uma reação" - eu vou atrás é da minha felicidade, doa a quem doer, queime a quem queimar, afinal, se não dá para ser certo em um mundo de muitas verdades, porque então se preocupar com o bem estar dos outros?

E é desta forma que eu farei o meu mundo seguir: calado, resignado e intacto, seja bom ou seja ruim (não para mim, mas para os outros). É desse jeito que eu vejo o meu mundo voar, tendo a certeza de que a minha verdade vale única e exclusivamente para uma pessoa:

Eu mesmo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Memórias da Mágoa - Desligando a Chave Geral

Sentir-se responsável por fazer o bem para alguém dá um sensação de bem estar indescritível. Ainda mais quando somos responsáveis por mudar a vida das pessoas para o bem, dando metas, caminhos e objetivos.



E quando esta tarefa faz com que você tire da pessoa o principal, que é a própria essência da vida? E quando isto faz um bem oculto, tornando-se o mal? Pois é: neste momento você descobre que ser bom foi ser ruim.

Por exemplo, eu nunca gostei assistir jogos de futebol pois tinha meus princípios fiéis de que aquilo era pura aniquilação. Hoje em dia eu entendo perfeitamente o que faz um homem sentado em sua poltrona, com a mão no saco, uma lata de cerveja a tiracolo, xingando o Juiz e os jogadores / torcedores do time adversário: Ele está perdendo o seu stress. Ele está no seu momento “fazer unhas dos pés e das mãos”.

Se por algum acaso o homem não faz isto é porquê provavelmente ele tem outras atividades preferenciais, como andar de moto, fotografar, andar de bicicleta, conhecer locais culturais, frequentar um bom restaurante, entre outros. No meu caso, eu costumava escrever, como faço neste exato momento. Emitia textos dúbios e as vezes maravilhosos que as pessoas sempre gostavam de comentar.

Fazendo isto eu acabei criando uma espécie de alter ego – este que foi admirado por pessoas em especial. E com isto, acabei criando pessoas que viviam o que eu dizia, eu achava e que nem mesmo por vezes eu concordava. Eu criei pessoas que viviam o que eu vivia. Pessoas que respiravam o que eu respirava.

Por meses eu venho tentando consertar esta situação chata e amarga, mas vi que o resultado final foi péssimo. E o que eu aprendi com isto? Aprendi que o ditado “você colhe aquilo que planta” é a mais perfeita verdade.

Para ajustar uma situação como esta, as vezes é necessário magoar as pessoas. É como se você desmentisse uma mentira deslavada sabendo das consequências que você mesmo criou. Se isto limpa a alma e vai fazer bem para todos? Só o tempo poderá dizer. O importante é que estou tentando seguir os princípios corretos da vida.

Eu resolvi fazer isto. Para o meu bem, para o bem dos que me respiravam e para o bem das pessoas que ainda me respiram.

O que eu espero disso tudo? Primeiramente que as pessoas se encontrem por si próprias e vejam que viver a vida não é co-viver o que os outros sentem. Quero que as pessoas busquem seus próprios caminhos e destinos, focadas em seus objetivos pessoais e familiares. Eu quero que as pessoas vivam por si, para que eu mesmo possa viver por mim.

Que todos sejam livres. Foi desligada a chave geral.

Boa vida.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Memórias da Liberdade – Primeiro Ato.

É difícil falar sobre caráter quando as pessoas que ouvem insistem em evidenciar apenas o tapa dado. Mas também é difícil falar sobre caráter quando se é cobrado de algo que você cumpre, mas não tem o retorno recíproco. Por exemplo, a traição não consumada mas já informada.



Ter caráter inclui não omitir fatos, proteger o próximo com todas as unhas e dentes, fazer com que o parceiro ou amigo confie em você até no “segurar por um fio de cabelo durante a queda” e também, confiar no inconfiável. De outra forma e muito mais do que isto, ter caráter significa pensar na possível futura dor alheia, mesmo que esta já tenha doído em você de outra forma e que os outros não tenham se preocupado com seu coração.

O caráter é como ter amor, só que um pouco mais importante do que isso. Para ter caráter não é necessário ter amor – então, o que mais tem valor nesta hora é o que você julga como mais exemplar para você mesmo. Amor ou caráter? Caráter ou amor? E é nesse caminho que as pessoas se perdem. Se entregam muito por amor e esquecem de um pedacinho importante da vida que se chama caráter.

Quando chegamos neste nível de complexidade de entendimento, coisas ruins começam a se aglomerar e as paredes começam a trincar. Estas coisas tornam-se doentias e surreais, fazendo com que cada dia, cada um deles torne-se algo insustentável e intolerável. Basta então mais uma dose de caráter para manter a estabilidade. E de doses em doses, um dia a parede trincada cai e o telhado desaba. Demora, mas desaba.

Ter traquejo para sair deste tipo de situação é super complicado, porém, sempre tentamos agir da melhor forma possível. Alguns dão tiros de misericórdia, outros dão cortes lentos mas muito profundos. Eu continuo preferindo o caráter. Caráter. Caráter e caráter. Palavrinha dolorida essa. E por preferir o caráter eu sempre levo o golpe final. Ou o golpe da falácia. O famoso golpe das três verdades.

Ouvir ou ler uma história da “menina que pulou do terceiro andar” te leva a crer que ela estava deprimida, triste e tinha brigado com familiares. Coisas do gênero e do título da notícia. Mas alguém em algum momento resolveu dar a informação de que ela parecia ter passado mal e esbarrado no parapeito da varanda, caindo até se estatelar no chão. Porém, quando se investiga o fato com todas as informações disponíveis e possíveis, descobre-se que ela não pulou ou esbarrou no parapeito mas sim, foi empurrada por alguém. Chocante, não? Parece que tudo mudou em uma fração de segundos.

Então, quando se lê sobre ferimentos, sentimentos, sensibilidade, ataque, armas de fogo, facas, corações dilacerados e partidos, decepção, desilusão, falta de brilho e angústia, lembre-se bem de uma simples coisa: Verifique a terceira verdade da história. Sinta as outras opiniões e tire a sua própria conclusão, pois em um mundo onde um clique de curtir é tão ou mais importante que a história, quem responde “É verdade, amiga(o)” é rei, ou rainha e sempre tem a razão.